Olhos Famintos

Mente e estômago vazios. Nada mais me abala. Estou no automático.
As vezes paro pra exercitar um pouco o meu cérebro tão desejado pelos malditos... Só pra não esquecer o que sou nem o que eu estou fazendo.
O que estou fazendo??... Desta vez não acho respostas. O Sol começa a repousar no horizonte vermelho e mesmo com o meu 'toque de recolher' se iniciando eu havia parado de andar. Simplesmente parado.
De pé eu pensava. Pensava em muitas coisas e acabava pensando em nada. Tanta coisa já havia acontecido... Tantos entes queridos mortos ou desaparecidos... Tudo me indicava um só caminho: O desespero e suicídio.
A cada instante eu pensava se valia mesmo a pena lutar todo maldito dia pra sobreviver pra que um dia eu caia na boca de um dos miseráveis infernais... Preciso escapar da loucura. Mas sempre que entro nesse estado algo me puxa de volta pra realidade.
Eu ainda estava parado. Mal percebo que a lua já reluz um azul sinistro e que já é madrugada. Não sei o que aconteceu comigo. Fiquei fora do meu corpo por algumas horas e nada me atacou. Talvez pelo silencio que meu ócio patrocinou... Não tenho certeza. Preciso me esconder, como sempre. Estou numa cidade que me lembra o Texas. Eu amava assistir os grandes clássicos americanos. Preciso reconhecer que os malditos fizeram bons filmes.
Achei uma casa bem discreta e me lancei ao interior dela.
Mal ponho os pés dentro e ouço barulhos de carne sendo rasgada e ossos quebrados. O sangue corria frio e rápido por minhas veias. Eles haviam achado alguém. Um pobre infeliz. Espero que a morte tenha sido rápida para ele.
Enquanto eu saia vagarosamente da casa infernal eu não tirava meus olhos das sombras vorazes e famintas. Eu tremia de fraqueza. Se algo acontecer de errado eu não tenho forças pra resistir.
Justo quando me ponho na luz do luar meu rifle esbarra na porta da frente da casa. Foi tudo tão rápido. Mal meus tímpanos haviam parado de receber o ruído produzido por mim eu já estava correndo. Meu rifle estava carregado. Eu tinha que ser preciso e econômico. A cada 20 metros corridos eu me virava, parava e atirava na cabeça de um. Foi assim por intermináveis 600 metros. O rifle ainda fumegava quando um cão começa a latir e correr em minha direção. Mesmo de noite os olhos dele exalavam um vermelho sangue e eu era capaz de ver as tripas dele se arrastarem na terra batida. Não era um cão normal, claro. Esperei ele se aproximar mais e decepei a cabeça dele com meu machado. O barulho dos tiros já haviam me deixado louco. Assim que me viro o cão late outra vez. Não sei como. Depois de eu ter esmagado a cabeça dele com uma pedra eu entrei em leve desespero. "Os malditos estão ficando mais resistentes ou será só com os cães que isso acontece??"
Me limpei e me virei. Na cidade havia mais nada que fosse de meu interesse. Quando miro meus olhos para a mata ao redor da cidade eu não acreditei... Eu não quis acreditar... "Impossível"... É O MEU FIM!!!