Finalmente recebi notícias do meu Almirante... Não as que eu esperava. A base russa foi bombardeada por aviões tão rápidos quando o som... Restaram poucos. Um deles me informou o ocorrido. Estamos cada vez mais perdidos no meio de um formigueiro na chuva. Mas mesmo com essa notificação insatisfatória, junto a ela veio também um sopro de alegria à minha alma que suplica para não sair desse corpo moribundo: Alguns marinheiros russos estavam a poucos quilômetros de onde eu achava estar.
Ao ler isso no meu comunicador entrei em histeria. Era dia. Poucos 'deles' andam de dia. Procurei um mapa na casa onde eu havia dormido na noite passada. Vi também uma lista telefônica que me indicava o local onde eu estava. Pronto...Eu estava pronto para me lançar ao suicídio em busca de outros marinheiros.
Lancei-me para fora da casa. Rifle na mão e machado pendurado nas costas. Nem corria, nem andava. Apesar de toda a euforia eu precisava ser cauteloso. Eu ainda poderia ser útil para a Grande Mãe Rússia.
Olhava para todos os lados. Estava tudo muito estranho...Não havia zumbis nas ruas. Tudo muito quieto... Silencio... Nada além dos leves ruídos da minha caminhada. Não sei o que me deu... Mas no meio do caminho parei. Fiquei olhando o meu caminho a frente. Era a divisão da zona urbana com a rural. À minha frente havia uma estrada com vários carros parados e com suas portas abertas. Eu olhava e tentava entender o motivo da minha parada. Dei uma golada no meu velho cantil, como se eu estivesse a me preparar para algo, e continuei a caminhar.
Percorri em torno de 2 quilômetros e vi uma horda de seres malditos. Não poderiam ser humanos... Afinal humanos não correm juntos assim desde os tempos das grandes maratonas. A quinhentos metros atrás de mim ainda haviam veículos abandonados. Corri. Corri segurando meu rifle já destravado [contrariando o código militar russo] e segurando meu machado para que ele não caísse de minhas costas. A sorte me acompanhava. Não sei por qual motivo... Mas ela estava comigo
Avistei um caminhão. Minha vista cansada não conseguia ver se havia carga ou ele estava destrelado. Ao me aproximar vi que estava somente o caminhão sem carga. A sorte realmente não estava brincando comigo.
Lancei meu machado e meus esquipamentos dentro do veículo. Travei todas as portas. Eu tentava dar a partida... Nada. E 'eles' chegando cada vez mais perto, como um bando de cães do inferno. Desisti da ignição e quebrei o pára-brisas e descarreguei meu rifle nas 3 primeiras fileiras de zumbis. Restavam em torno de uns 7 ou 8. Abri a maldita porta e peguei meu machado como um gladiador pega sua espada e me lancei à batalha. A derrota nunca foi uma opção.
Achei forças onde eu jamais imaginei que existissem e com as duas mãos no machado eu decepava um por um. Hora ou outra eu tinha que dar com os pés em algum zumbi que vinha pela minha retaguarda para me morder. Lutei.
O ódio e a raiva haviam tomado conta de meu ser.
Matei todos. Foi muito rápido. Descontei toda a raiva que havia em mim se instalado. Paro de pisar em uma cabeça quando percebo que estou pisando no asfalto da estrada revestido de migalhas de cérebro e ossos.
Ponho minha mão dentro do caminhão e pego meu rifle descarregado e continuo minha caminhada.